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domingo, setembro 13, 2009

O Governo e a Educação

"A imagem negativa foi ganhando força e contaminou as outras políticas. Às tantas, nada do que a ministra [da educação] fazia estava bem. Como a alteração da gestão escolar [...] que constitui uma alteração que assumirá grande importância no futuro." Natércio Afonso

"O conflito acabou por obscurecer a visibilidade e execução de medidas positivas." João Formosinho

Não posso estar mais de acordo com estes dois reconhecidos especialistas portugueses, citados no Expresso de ontem.

sexta-feira, novembro 28, 2008

NÃO, Sr. Mário Nogueira!

Não, Sr. Mário Nogueira, professores com "P" maiúsculo ou "p" minúsculo não se "medem" com a sua adesão ou não à greve!!

"Medir-se-á" de outra forma! E, certamente, vamos encontrar "Ps" maiúsculos e "ps" minúsculos nos professores que vão aderir e nos que não vão aderir à greve! Como em todos os grupos profissionais.

Cuidado Sr. Mário Nogueira, não houve interrupção na democracia!

Notícia do semanário Sol.

ME - Simplificação e Desburocratização

O Ministério da Educação (ME) procedeu a alterações que pretendem vir ao encontro das dificuldades de implementação que as escolas foram identificando e transmitindo.
O texto seguinte é emanado do ME e pretende informar sobre esse conjunto de medidas:



Mas agora... já não chega simplificar e desburocratizar! É preciso acabar com o modelo!
Os sindicatos nem quiseram negociar!
Sem querer desvalorizar o descontentamento dos professores, que tem razões para existir, chegou o momento em que, explicitamente, a componente política se sobrepõe à técnica.

terça-feira, novembro 25, 2008

A Favor da Escola Pública... Entendam-se!

Ministério da Educação e sindicatos vão sentar-se à mesa das negociações, na próxima sexta-feira. Entendam-se! A favor do valor superior do funcionamento da escola pública, entendam-se!

Os sindicatos irão apresentar um modelo alternativo ao do Ministério. Cedam nas suas posições, Ministério e sindicatos, e encontrem forma de salvar o ano lectivo e começar, desde já, a trabalhar num modelo capaz de avaliar, com razoabilidade e aplicabilidade nas escolas portuguesas.

Esta posição foi ontem muito bem defendida pela Drª Inês de Castro, Presidente do Conselho Executivo da Escola Básica 2,3 do Monte da Caparica (onde faz um excelente trabalho), no programa "Prós e Contras", da RTP1.

Felicito a Drª Inês de Castro pelo equilíbrio do seu contributo para o debate e para a resolução deste assunto que, de forma contraproducente, tem afectado o funcionamento das escolas.

terça-feira, novembro 18, 2008

O que se vai seguir? Greves!

A acontecer, esta será, talvez, a greve que mais poderá afectar o prestígio da classe docente, mas...
Foram tratando mal os professores!
Costuma-se dizer que "trataram isto com os pés"!
O Conselho de Escolas aprovou a suspensão da avaliação!
E agora? Que fazer?
Haja alguém que traga estabilidade, serenidade, clima de trabalho, às escolas!

segunda-feira, novembro 17, 2008

A Propósito de Avaliação, Algumas Notas

Algumas anotações sobre o estado das coisas na avaliação do desempenho dos docentes:

  1. Os sindicatos, em Abril, concordaram com este modelo para vigorar durante este ano lectivo e agora dizem que já não vale!
  2. A Comissão Paritária tem reunido, desde essa altura, com a presença dos sindicatos e, ao que parece, sem que estes tivessem levantado questões significativas.
  3. A perda de credibilidade dos sindicatos, faz com a liderança dos protestos esteja muito para além deles e os Conselhos Executivos ganhem força negocial.
  4. Há disponibilidade do Ministério da Educação para, entre outras medidas, simplificar as fichas de avaliação (eventualmente, passando alguns itens a ser opcionais), mantendo a necessária equidade nacional.

O que se vai seguir?

sábado, novembro 15, 2008

Avaliação "Simplex" Já!

O Expresso de hoje publica uma entrevista com a Ministra da Educação onde refere que há escolas que estão a fazer a avaliação de uma forma "simplex" e diz que "precisamos de um "simplex" para a avaliação". Refere ainda o jornal que a Ministra está disposta a negociar, mas só para tornar o modelo mais "simplex".

Concordo! Desconheço o significado do "só", mas "simplex" deverá significar mais simples, menos burocrático e mais objectivo. Sim Srª Ministra aplique o "simplex" para que todas as escolas cumpram a avaliação do desempenho dos docentes.

Vale a pena ceder para ganhar as escolas!

Estabilidade e tranquilidade, precisam-se nas escolas portuguesas, com urgência!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Avaliação de Desempenho dos Docentes - Ainda o Memorando de Entendimento

No plenário a que me referi na mensagem anterior, ouviram-se algumas vozes discordantes quando disse que este modelo de avaliação "...parece, até mereceu a concordância dos sindicatos, para vigorar durante o presente ano lectivo".

Vale a pena ler os dois pontos do memorando de entendimento, assinado pelo Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores, no passado mês de Abril, que se referem à avaliação de desempenho a decorrer no ano lectivo de 2008-2009:

"4. Com o objectivo de garantir o acompanhamento, pelas associações sindicais representativas do pessoal docente, do regime de avaliação de desempenho dos Professores, proceder-se-á até ao final de Abril à constituição de uma comissão paritária com a administração educativa, que terá acesso a todos os documentos de reflexão e avaliação do modelo que venham a ser produzidos pelas escolas e pelo Conselho Científico da Avaliação de Professores.

Compete a esta comissão paritária, tendo em sua posse a documentação referida e outra que considere adequada, preparar a negociação das alterações a introduzir ao modelo de avaliação.

Estabelecer-se-ão as regras que permitam a participação ou audição de peritos indicados pelas associações representativas do pessoal docente em reuniões do Conselho Científico da Avaliação de Professores, a sua solicitação ou a convite da sua presidente.

5. Durante meses Junho e Julho de 2009 terá lugar um processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações, que tomará em consideração a avaliação do modelo, os elementos obtidos até então no processo de acompanhamento, avaliação e monitorização de primeiro ciclo de aplicação, bem como as propostas sindicais."

É muito claro que, implicitamente, a Plataforma Sindical concordou que este modelo fosse aplicado durante este ano lectivo!

Deveriam, na altura, os sindicatos ter capacidade para negociar (e não lhes faltaram apoios!) um modelo mais simplificado, menos burocratizante e com menos subjectividades, pelo menos nos primeiros anos de vigência, em que nos falta uma habituação, uma prática, uma cultura de avaliação.

A suspensão, que o Ministério deveria permitir, seria exclusivamente para simplificar o modelo e poderia não ser impeditivo de ser aplicado ainda este ano lectivo.

terça-feira, setembro 09, 2008

"Os Alunos Vão Ter Aulas Ali?!"

"Os alunos vão ter aulas ali? Pensava que fossem contentores para as obras." Palavras do primeiro-ministro José Sócrates, na visita à Escola Secundária Pedro Nunes, uma das 26 escolas "eleitas" para integrar o plano especial de modernização, criado pelo Governo.

"São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui." Resposta da ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues, justificando que os contentores "têm ar condicionado" e são melhores do que parecem.

Fonte: Expresso de 06.09.2008

Pelo que podemos ler, parece-nos que devem ser pavilhões com as condições mínimas de funcionamento de uma aula, mas sabemos que nem sempre é assim e que muitas das nossas escolas têm pavilhões onde funcionam aulas em condições muito precárias, consideradas salas normais pelas Direcções Regionais de Educação para efeitos de rede escolar! Outros ainda, pelo elevado estado de degradação, não podem ser utilizados, mas continuam lá, a ocupar espaço e a desqualificar o espaço escolar!

Sabemos que há um esforço governamental de modernização e requalificação dos espaços escolares mas, quando falamos em sucesso escolar e de educação de qualidade, não nos podemos esquecer desta realidade que ainda existe.

E, de cada vez que se constroem novas escolas, não nos podemos esquecer de abater (em todos os sentidos) estas pseudo-salas nas escolas mais antigas, redistribuindo as turmas pelas verdadeiras salas, em todas as escolas.

Urge também permitir a transformação de algumas salas de aula noutras valências cada vez mais necessárias, já existentes nas escolas novas (mediatecas, salas de trabalho para professores, etc.), aproximando um pouco as condições de trabalho nos diversos estabelecimentos de ensino.

domingo, março 16, 2008

A Manif

Independentemente do grau de insatisfação (ou satisfação) de cada um, pelas medidas que têm sido adoptadas pelo Ministério da Educação (ME), poder-se-á dizer que será praticamente unânime a opinião de que o ME tem tratado mal os professores.
Injustamente mal tratados, digo eu!
Os professores..., os professores..., e as políticas? Não têm sido, ao longo dos anos, ao longo das legislaturas, responsáveis pelo estado da Educação? Claro que sim!
E os professores e a sua actividade não se desenvolve, enquadrada numa arquitectura legislativa que deverá suportar a política educativa de cada Governo da República? Claro que sim!
E será possível implementar uma política sem ganhar os seus principais actores para ela? Claro que não!
A classe docente tem sido a classe profissional mais atingida na sua dignidade pelo actual Governo! E não havia necessidade! Digo mesmo que se poderia fazer quase tudo o que se tem feito, sem esta postura de agressividade e, ouvindo mais os professores, mesmo sem desvirtuar os princípios orientadores subjacentes aos diversos diplomas, evitar-se-iam erros grosseiros e impossíveis de cometer por quem conhece minimamente o funcionamento da Escola!
Não foi (só) pela a avaliação do desempenho que 100.000 professores estiveram na rua!
Os 100.000 professores estiveram na rua por este "pano de fundo" da política governativa para a educação!
E, contra este "pano de fundo", o Governo mereceu a manif!

sábado, janeiro 26, 2008

A Avaliação do Desempenho dos Professores e as Recomendações do CCAP - Será Isto Possível?!!

O Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, regulamenta a avaliação do desempenho dos docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário.
Este diploma prevê que, de imediato, e em fase de mudança da gestão das escolas, se inicie um procedimento de grande e complexa carga burocrática que afecta a progressão na carreira de milhares de docentes, congelada desde 2006!
Esta mensagem não pretende, no entanto, analisar o documento, merecedor da melhor atenção.
No n.º 2 do artigo 6.º refere-se que os instrumentos de registo dos avaliadores devem ser aprovados pelos conselhos pedagógicos das escolas "tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores" (CCAP).
Ora o CCAP ainda não está constituído, uma vez que falta publicar o diploma que regulamenta a sua composição e funcionamento. Assim, para que os prazos que decorrem para a implementação do sistema de avaliação do desempenho dos docentes continuassem a decorrer, o Sr. Secretário de Estado Jorge Pedreira atribui à, já nomeada, Presidente do CCAP a competência do órgão para a emissão das necessárias recomendações!!
Ou seja, para não proporcionar às escolas mais alguns dias (de que tanto necessitavam) para prepararem todo o processo burocrático, o Sr. Secretário de Estado prescinde das recomendações de um colégio de especialistas (o CCAP) e substitui-as pelas recomendações de um só, a sua presidente!!
Bom, talvez o CCAV nem seja mesmo necessário! Bastará a sua presidente!
Será isto possível?!!
E não seria razoável que a avaliação do desempenho do pessoal docente começasse em Setembro?

domingo, junho 17, 2007

Os e-Recursos Escolares e a Desproporcionalidade dos Comentários

"Agora, aprovado que está, para cumprirmos os princípios do ECD e termos professores e escolas cada vez melhores será preciso ganhar os docentes para a solução, fazendo-lhes crer que vale a pena ser melhor. Precisamos entusiasmar os professores! Os professores precisam de sentir que o Governo, os pais e encarregados de educação, a sociedade, acreditam e contam com eles para formar cidadãos de qualidade.
Em sede de regulamentação, do discurso e da implementação de condições para o exercício da função docente, o Governo Socialista e o seu Ministério da Educação terão de saber utilizar o novo ECD para que isto aconteça! A preocupação que a Sr.ª Ministra da Educação e o Sr. Procurador-Geral da República têm manifestado recentemente, relativamente à violência e aos crimes nas escolas, vem neste sentido e concorre para este objectivo."
O meu post "O Estatuto da Carreira Docente e a Categoria de Professor Titular (I)", de 2007.04.14, terminou com os dois últimos parágrafos que acabei de citar. A iniciativa para a generalização do acesso a computadores pessoais e à banda larga para adultos nas Novas Oportunidades e para alunos do 10º ano e professores dos ensinos básico e secundário poderá ser um pequeno passo no caminho que referi.
Há cerca de uma semana atrás, li um editorial do "Público", onde o director José Manuel Fernandes (JMF) se referiu a esta iniciativa governamental como "um erro", "populismo", "um bodo aos pobres" e um "disparate caro"! Depois de se referir aos alunos, JMF diz que "os professores também levam computadores..." e que "será dinheiro de outros (as empresas de telecomunicações) lançado à rua, sem garantias de retorno", entre outras considerações e comentários!
Todos nós sabemos quanto essenciais são hoje os meios informáticos para o acesso à informação e como ferramenta de trabalho em qualquer actividade profissional. Na educação, nas escolas, são, por acréscimo de razão, imprescindíveis a alunos e professores, para um desenvolvimento dinâmico e actualizado do currículo; e também sabemos, nós, professores, as dificuldades sociais de muitas das famílias dos nossos alunos, impedindo um acesso generalizado a computadores e banda larga, que usamos cada vez mais como recurso educativo das aulas e como importante complemento dos tradicionais manuais escolares.
Concordo que, muitas vezes, como diz JMF, "o que é oferecido tende a ser desvalorizado, pois é obtido com pouco esforço" e que, inevitavelmente, ir-se-ão verificar desperdícios; mas certamente que a implementação da medida obrigará a regras que deverão assegurar a valorização e o controle da utilização dos recursos a serem distribuídos.
E "os professores também levam computadores..."!! Os professores, tal como os alunos menos carenciados, poderão adquirir o equipamento por 150 €. Sendo uma medida louvável e inédita, não será nenhum favor!
JMF terá, certamente, o seu lápis, o seu papel, a sua esferográfica e o seu computador na redacção do seu jornal, equipamento disponibilizado, obviamente, pela empresa proprietária do jornal, para o seu Director desempenhar eficaz e condignamente as suas funções. Pois é Dr. JMF, os professores sempre tiveram que comprar o lápis, o papel e tudo o resto, para leccionar na escola e trabalhar em casa, por falta de condições de muitas das nossas escolas!
E o dinheiro também não é das empresas de telecomunicações, é do Estado Português (nosso)! Estas empresas não fornecem graciosamente estes equipamentos, mas em contrapartida de licenciamentos que lhes permitem lucros de milhões de euros, como é do conhecimento de todos nós!

sábado, abril 21, 2007

O Estatuto da Carreira Docente e a Categoria de Professor Titular (II)

Depois de passar por quatro versões anteriores, foi aprovado em Conselho de Ministros de 29 de Março de 2007 o regime do primeiro concurso de acesso a lugares da categoria de professor titular da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário.

Pretende-se recrutar os professores com melhores condições para o exercício das funções específicas atribuídas àquela categoria. Para o efeito, com método de selecção de análise curricular, vão realizar-se dois concursos: (i) um para docentes actualmente no 10º escalão, que não depende de abertura de vagas, sendo providos os candidatos que obtenham classificação igual ou superior a 95 pontos, (ii) outro para os docentes dos 8º e 9º escalões, que ocuparão um número de vagas a estipular pelo Ministério da Educação e serão ordenados em função da classificação final obtida.

Classe docente, sindicatos e órgãos de comunicação social têm referido e comentado alguns dos pontos em discussão. Destaco alguns aspectos do processo e do articulado do referido documento, que me merecem algumas reservas:
1. Enquanto o art.º 15º do ECD afirma que a análise curricular é o instrumento essencial, como método de selecção, para acesso à categoria de professor titular, a proposta exclui a carreira reflectida no currículo, considerando apenas os seus últimos sete anos! Trata-se de docentes com mais de 25 anos de carreira, a quem o Sr. Secretário de Estado Jorge Pedreira se referiu, no “Público” de 2006.09.05, como “professores com uma carreira atrás de si e não terão de ser sujeitos à prova [pública de acesso à categoria de professor titular que vai ser exigida a todos os outros]”. Então, por que não permitir que estes docentes escolham os sete anos da sua carreira que devem ser analisados!? Existem docentes que já exerceram todos ou quase todos os cargos e funções agora valorizadas para efeitos de concurso, mas não necessariamente nos últimos sete anos!
2. Sendo condições de preferência a experiência em funções de liderança, direcção, coordenação e supervisão pedagógica, relacionadas, assim, com o conteúdo funcional específico da categoria de professor titular, como se pode desvalorizar o “exercício de funções dirigentes e técnico-pedagógicas no Ministério da Educação” relativamente ao “exercício efectivo de funções lectivas em estabelecimentos públicos, particulares ou cooperativos”?
3. Como se explica que a actividade (privada!) de autor de manuais escolares seja mais valorizada que a maioria dos cargos de coordenação e supervisão que os docentes exercem nas escolas?
São algumas reflexões que, penso, merecem ponderação.

E, por exemplo, um docente do 8º ou 9º escalão com 70 pontos na sua avaliação curricular poderá ser professor titular, enquanto um outro do 10º escalão, com 90 pontos, não terá provimento nessa mesma categoria! Será possível?! Na realidade, enquanto o texto introdutório divulgado pelo Ministério da Educação, no seu sítio da internet e no “Boletim dos Professores”, se refere, genericamente, a necessidade de um mínimo de 95 pontos para obter a menção de satisfaz, no texto do diploma agora aprovado,
“2. No concurso previsto na alínea a) do artigo 2.º, os candidatos [do 10º escalão] são classificados em mérito absoluto, sendo providos os candidatos que obtenham classificação igual ou superior a 95 pontos.
3. No concurso previsto na alínea b) do artigo 2.º, os candidatos [dos 8º e 9º escalões] são ordenados por ordem decrescente, por departamento nos termos do Anexo I, em função da classificação final obtida.”;
se o texto publicado no Diário da República não for alterado, confirmar-se-á a possibilidade que inicialmente referi!

Vale a pena também referir que, nas primeiras versões do documento, apresentadas aos sindicatos em período de negociação, previa-se a penalização dos professores por faltas por maternidade, paternidade, nojo, cumprimento de obrigações legais e doença comprovada; não se atribuía qualquer valorização às funções de director de turma e coordenador de secretariado de exames, por exemplo! Embora tenham sido aspectos rectificados, cabe perguntar quem se terá lembrado da possibilidade de tais aspectos poderem ser considerados?! Foram propostas absolutamente desnecessárias e que só contribuíram para o mau estar nas escolas e para aprofundar o indesejável mau ambiente das relações com os responsáveis ministeriais.

Não sou um fundamentalista do contra em matéria de medidas ditas economicistas, até porque não somos um país rico e estamos longe de ser exemplo em termos de rentabilização de recursos; os últimos números dizem-nos até que estaremos a ter resultados muito positivos no que diz respeito à consolidação das contas públicas, com bons resultados na redução do défice orçamental, podendo, a médio prazo, pensar poder vir a aliviar a pressão dos orçamentos familiares, que temos vindo a suportar. Mas também penso que, nesta matéria, devemos parar para reflectir quando, por via da injustiça, da depressão e da desmotivação dos agentes fundamentais da educação escolar, os economicismos podem pôr em causa os grandes e nobres objectivos de termos uma Educação e uma Escola que responda cabalmente aos grandes desafios do século XXI.
E só COM os professores poderemos pensar na excelência nas escolas!

Publicado em "Jornal do Montijo" de 2007.04.20

sábado, abril 14, 2007

O Estatuto da Carreira Docente e a Categoria de Professor Titular (I)

A publicação do Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, instituiu o novo Estatuto da Carreira Docente (ECD), que introduz alterações significativas ao que vigorava desde 1990, alterado depois em 1998. Como se pretende, este novo ECD está já a provocar profundas mudanças na profissão docente e no funcionamento das escolas, mudanças que se prevê venham a ser cada vez maiores e mais consolidadas nos próximos tempos.

Como tenho referido em pequenos textos publicados em http://evangelistanet.blogspot.com/, e debatido com colegas e amigos, registo a coragem política da actual equipa governativa para mexer substancialmente na educação, matérias complexas e sensíveis que, inevitavelmente, provocam agitação social e insatisfação, principalmente na classe docente; outros, privilegiando a obtenção de votos, optaram, comodamente, por manter tudo na mesma, quando se reconhecia a necessidade de alterar e adequar diplomas estruturantes aos tempos exigentes e competitivos que vivemos.

Não posso, contudo, deixar de lamentar a forma inadequada como o Ministério da Educação tem divulgado e implementado esta reforma, consubstanciando quase sempre uma atitude agressiva e desprestigiante para a classe docente, que a desvaloriza e desmotiva e que em nada contribuirá para uma escola melhor, objectivo do Governo e de todos nós! Se pensarmos que tal imagem foi construída pela comunicação social, também competiria à equipa governamental impedir que tal tivesse acontecido!

Não posso estar mais de acordo, portanto, com os grandes princípios orientadores do novo ECD, como instrumento de valorização do trabalho dos professores e da escola, como organização ao serviço da aprendizagem e formação global dos alunos. Por um ECD que estabeleça um regime de avaliação de desempenho mais exigente e com efeitos na progressão e desenvolvimento da carreira, de modo a identificar e promover o mérito e a valorizar a actividade lectiva, e que impeça a indiferenciação e, quantas vezes, o desempenho forçado de funções de coordenação e supervisão por docentes menos experientes quando existem nas escolas outros com melhores condições profissionais para o seu desempenho! “Um regime de avaliação que distinga o mérito como condição essencial para a dignificação da profissão docente e para a promoção da auto-estima e motivação dos professores”.

Bom, mas o que dizer quando, para além de se prolongar alguns dos períodos de tempo necessários para progressão nos escalões da carreira, ainda se determina administrativamente que o tempo decorrido entre 2005.08.29 e 2007.12.31 não é contabilizado para essa progressão?! Por que razão, se o docente continua a exercer todas as funções que lhe são exigidas?! Penalizante e desmotivante!

A carreira docente desenvolve-se agora por duas categorias hierarquizadas de professor e professor titular, cabendo a esta última, para além das funções lectivas, outras funções e cargos de maiores responsabilidades para que sejam nomeados ou eleitos, e vedadas à categoria de professor. Para progressão na categoria de professor há que permanecer um tempo mínimo de serviço docente em cada escalão, ter avaliações de desempenho de bom e frequência de módulos de formação com aproveitamento; para ingresso na categoria de professor titular, deve ter 18 anos de serviço docente, ser opositor a concurso documental e aprovação em prova pública.

Mas o número de lugares a prover nesta última categoria não pode exceder a dotação fixada anualmente pelo Governo, que não deverá ser nunca superior a um terço do quadro da escola ou agrupamento. Ou seja, o professor poderá preencher todos os requisitos, ser excelente, e ter de aguardar vinte anos para pensar em poder ingressar na categoria de professor titular! Vinte anos, porque os actuais professores do 10º escalão poderão ingressar na categoria sem ocupar vaga e os do 6º e 7º escalão terão de aguardar a aposentação dos do 8º e 9º escalões que agora ingressarão!

E não me parece razoável a analogia que é frequentemente feita com outras organizações de administração pública ou privada, uma vez que, no caso dos professores, não se tratará de uma verdadeira hierarquia, não cabendo a absoluta necessidade do tradicional quadro em pirâmide. Um professor titular não será superior hierárquico de um professor, só o sendo em caso de eleição ou nomeação para determinada função ou cargo; a categoria de professor titular será, assim, um reconhecimento de mérito e de condições profissionais para o exercício de funções de coordenação e supervisão.

Como afirmou Marçal Grilo, em entrevista ao “Público” de 2006.10.16, “os professores têm de fazer parte da solução e não do problema. O que é preciso é perceber que, como em qualquer profissão, há bons e maus professores, ou maus profissionais”. Não tenho dúvidas de que a maioria dos professores são bons; alguns muito bons e outros excelentes!

Agora, aprovado que está, para cumprirmos os princípios do ECD e termos professores e escolas cada vez melhores será preciso ganhar os docentes para a solução, fazendo-lhes crer que vale a pena ser melhor. Precisamos entusiasmar os professores! Os professores precisam de sentir que o Governo, os pais e encarregados de educação, a sociedade, acreditam e contam com eles para formar cidadãos de qualidade.

Em sede de regulamentação, do discurso e da implementação de condições para o exercício da função docente, o Governo Socialista e o seu Ministério da Educação terão de saber utilizar o novo ECD para que isto aconteça! A preocupação que a Sr.ª Ministra da Educação e o Sr. Procurador Geral da República têm manifestado recentemente, relativamente à violência e aos crimes nas escolas, vem neste sentido e concorre para este objectivo.
Publicado em "Jornal do Montijo" de 2007.04.13

sexta-feira, novembro 10, 2006

"...ausência total de uma palavra de apreço e incentivo para com os professores."

"O que impressiona, nas intervenções mediáticas dos responsáveis do Ministério da Educação (ME), é a ausência total de uma palavra de apreço e incentivo para com os professores." (José Gil, 2006.11.10, Ensaio, in Visão, pág. 170).
Na realidade, começam a avolumar-se as opiniões (exteriores à classe docente) de que o discurso do ME consubstancia uma enorme injustiça para com os professores; mas não só injustiça: será que é possível construir uma escola melhor, produtora de sucesso, com professores deprimidos e desmotivados?! Não me parece!
Isto porque (como já referi em posts anteriores), ainda que se reconheça a coragem de se ter mexido no Estatuto e concorde (como eu), em maior ou menor grau, com algumas das propostas de alteração agora em debate, o discurso do ME não motiva nenhum professor para o exercício da profissão!
E, como diz José Gil, "ele [o professor] não investe uma ou duas 'competências', investe na aula [e na escola, digo eu] a sua existência inteira". Será isto possível com este clima de escola?!
É, hoje, fácil de reconhecer que, de um conjunto de classes profissionais inevitavelmente "tocadas" no conjunto de privilégios a que vinham tendo direito, em virtude da política (corajosa, diga-se) de recuperação económica encetada pelo Governo Socialista, a classe docente é a que tem sido, injusta e inapropriadamente, mais desprestigiada!
Ninguém pensaria que seria possível mexer com profundidade nestas coisas num clima totalmente pacífico e, certamente, por isso, outros não o fizeram, anteriormente, como deviam! Mas, não havia necessidade de esmagar! Até porque, como em todas as classes profissionais, há a excelência e a mediocridade.


E ainda as aulas de substituição...

A outro órgão de comunicação social (Correio da Manhã de 2006.11.08), a Senhora Ministra terá referido que "os [professores] mais experientes, os mais competentes e os que mais ganham, têm as maiores reduções da componente lectiva e até ao ano passado, não estando regulamentada a componente não lectiva e não havendo condições na escola, eram os professores que davam menos ao sistema".
Na realidade, este é um dos aspectos que merece e deve ser corrigido.
Não me parece é que essa redução da componente lectiva deva ser ocupada com aulas de substituição. Por alguma razão se reconhece a necessidade de "retirar" esses docentes da sala de aula.
Essas horas, previstas actualmente no art. 79º do actual Estatuto da Carreira Docente, deverão, sim, ser ocupadas em cargos e outras actividades fora da sala de aula (apoio pedagógico individual ou a pequenos grupos, por ex.) compatíveis com a experiência e competência adquirida durante os já longos anos de serviço, consubstanciando, assim, uma melhor rentabilização dos recursos humanos.
A não ser assim, como acontece agora, quanto mais antigo é o docente mais ocupado estará em aulas de substituição! De referir que, ainda que retirando as horas do art. 79º, nas 35 horas semanais continuam a haver horas não lectivas, susceptíveis de serem utilizadas para aulas de substituição.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Professores - Parte da Solução e não do Problema

"...os professores têm de fazer parte da solução e não do problema. O que é preciso é perceber que, como em qualquer profissão, há bons e maus professores, ou maus profissionais."
Pois é, não posso estar mais de acordo!
A afirmação é do Professor Marçal Grilo, numa entrevista, publicada no "Público" de hoje, que vale a pena ler.
E penso que, independentemente de concordar ou discordar, mais ou menos, com uma ou outra proposta de alteração do Estatuto da Carreira Docente, a grande questão é que a Sra. Ministra e a sua equipa ministerial têm estado longe de nos conseguirem fazer crer que pensam inequivocamente assim.
A "guerra" que se vive actualmente na Educação tem (não exclusivamente mas) muito a ver com o discurso e a postura adoptada.
Com os professores e não contra!

sábado, julho 08, 2006

O Estatuto da Carreira Docente em Debate

Visitámos, então, a proposta de alteração ao ECD, divulgada pelo Ministério da Educação.Duas observações prévias à breve apreciação do documento:
1. Registamos a coragem política da actual equipa governativa para mexer substancialmente na educação, em matérias complexas e que, inevitavelmente, provocam insatisfação, principalmente na classe docente; estatuto e outros diplomas que tiveram o seu tempo e que hoje, face aos tempos exigentes que correm, obrigam a necessária actualização, que outros, privilegiando a obtenção de votos, optaram por não alterar;
2. Destacamos a forma inadequada como têm sido divulgadas reformas tão profundas como as que nos estamos a confrontar. Acreditando que não terá sido objectivo do Governo afrontar a classe docente, é essa, no entanto, a imagem que tem passado! Parece-nos de uma enorme inabilidade política a forma como o Ministério tem permitido que a comunicação social divulgue as diversas medidas, consubstanciando quase sempre uma agressão aos professores, que em nada favorecem a obtenção dos resultados que se pretende.

No que diz respeito a alguns dos pontos da proposta:

Art.ºs 38º e 109º - A regulamentação das dispensas de serviço docente para actividades de formação deverá ser compatível com a necessidade das 25 horas anuais para a progressão, já que não nos parece fácil compatibilizar os horários da formação com a componente não lectiva dos docentes de uma mesma turma;

Art.ºs 43º e 44º - Tal como está previsto, o processo de avaliação dos docentes, com periodicidade anual, representará uma sobrecarga de serviço para os avaliadores que, forçosamente, gerará constrangimentos no funcionamento da organização escolar; um coordenador de um departamento com 20 docentes terá de assistir a 60 aulas por ano! A direcção executiva terá, em muitos casos, mais de uma centena de docentes para avaliar, anualmente!

Art.º 46º 2-b) - Como irão ser ponderados os resultados escolares dos alunos? Parece-nos um indicador com grandes riscos na sua aplicabilidade: como todos sabemos, nem sempre melhores níveis de avaliação dos alunos corresponderão a uma melhor prestação do docente e poder-se-á correr o risco de ver notas inflacionadas para corresponder a uma melhor avaliação do docente!

Art.º 46º 2-c) - Da mesma forma, a taxa de abandono escolar deverá merecer uma ponderação adequada: não deverá ter um mesmo efeito nos ensinos básico e secundário. Por exemplo: como sabemos, nos anos sujeitos exame nacional do ensino secundário, com linhas programáticas de conteúdos mais exigentes, é com alguma frequência que o aluno anula a sua matrícula para se propor a exame como externo. Será isto indicador de menor prestação do docente?!

Art.º 46º 2-h) e 3 - Ao contrário de muitos colegas, não me choca que os pais possam fazer uma apreciação do meu trabalho e até a vejo com alguma utilidade pessoal mas, só com o que vem mencionado na proposta, tenho algumas dúvidas sobre a aplicabilidade deste indicador:
1. Que pais poderão participar? Todos?! Ou exige-se que tenham um determinado envolvimento na vida escolar?
2. Que itens constarão da ficha modelo a ser preenchida?
Também não me parece muito válido o argumento de que, sendo os pais parte interessada, não deveriam participar no processo, uma vez que não se trata de julgar ninguém mas sim de uma apreciação de alguns aspectos de um serviço educativo prestado ao seu educando. De resto, sendo apenas um dos onze indicadores de classificação, sujeito ainda a ponderação pelo conselho executivo, não me parece determinante;


Art.º 47º 3 - Não concordamos com percentagens máximas de atribuição de classificações de Muito Bom e Excelente! Faça-se uma avaliação justa e exigente, atribuindo a todos as mesmas oportunidades;


Art.º 47º 6 - Só 3% do serviço lectivo para faltas por doença de curta duração e por conta de férias parece-nos muito pouco! Um exagero! Compreendemos que não se poderia manter a actual situação de podermos faltar por conta das férias quase sempre que quiséssemos e sem qualquer justificação, e por atestado médico de curta duração sem qualquer outra implicação; mas parece-nos "passar de 8 para 99"!

Art.º 54º - Não nos parece compatível com a filosofia da proposta de valorizar as competências e o desempenho dos docentes, o facto de valorizar tão pouco o grau académico de doutor e de nem sequer mencionar o grau de mestre! Não concordamos;

Art.º 79º - A redução da componente lectiva do horário de trabalho não deveria determinar o acréscimo correspondente da componente não lectiva. Como se justifica então que a idade determine essa redução?! Estou convicto que muitos preferem não ter a redução! Será?


Disposições transitórias e finais - Art.º 10º - Os docentes que se encontram actualmente posicionados nos 9º e 10º escalões da carreira não deveriam ocupar as vagas de professor titular a serem criadas, sob pena dos docentes hoje posicionados nos escalões inferiores verem vedado o seu acesso a esta nova categoria docente durante bons anos! Seriam colocados em vagas supranumerárias que se extinguiriam à medida que fossem vagando; a não ser assim, que motivação resta aos docentes para a ascensão aos lugares de topo da carreira?

Trata-se de uma primeira e breve abordagem, não exaustiva, da proposta do governo, que espero, possa, nesta fase de debate e negociação, vir a sofrer alterações mais ou menos significativas.

segunda-feira, abril 17, 2006

Substituições

A matéria em título tem suscitado grande polémica e instabilidade nas escolas, particularmente em relação à classe docente e aos alunos.
Os professores manifestam grande insatisfação que, inevitavelmente, afecta o seu rendimento, com prejuízos significativos para o processo ensino-aprendizagem.
Os alunos, quando não são informados explicitamente (e nem sempre da melhor forma) pelos professores, apercebem-se, mesmo assim, da instabilidade que se tem vivido, motivando insatisfação e, por vezes, indisciplina!
Parece-me que, agora, passada a grande reacção inicial, caracterizada por reacções mais ou menos "violentas" e de grande emotividade, poderão estar criadas condições para, com racionalidade, emitirmos opiniões mais serenas e ponderadas.
Parece-me que a reacção, hoje, será muito mais em relação à estratégia utilizada do que propriamente em relação à medida em si, que, não sendo consensual na classe docente, parece-me obter já algumas simpatias.
Em sede da estratégia, o governo, acredito que sem intenção, lança a medida de modo apressado, com discurso em grande parte suportado, desnecessariamente, no corporativismo e laxismo dos professores; alterando primeiro o Estatuto da Carreira Docente (evitando o benefício do infractor), dando maior prazo para a implementação da medida e fazendo-o com os professores, poderia obter mais resultados.
A escola, agora, por esta via, com a sua autonomia pedagógica significativamente incrementada, poderia ter forçado um prazo maior e suficiente para organizar uma utilização dos recursos humanos docentes adequada e prestigiante da classe docente, e verdadeiramente útil para os alunos, revertendo a medida a seu favor.
As escolas, hoje mais do que nunca, começam a fazer diferença!
Gostava que a minha fosse melhor!
Estou convicto que, de forma diferente e adaptada ao local, a escola, com os seus docentes, poderá e deverá ser melhor.